06/05/2016 14h23 - Atualizado em 16/01/2017 11h49

A Sociedade Brasileira de Dermatologia, instituição que congrega mais de seis mil dermatologistas brasileiros e única instituição reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos dermatologistas no país, considera extremamente importante sua manifestação formal baseada em referências de literatura científica e em sintonia com outras entidades representativas internacionais, a respeito da matéria sobre vitamina D, publicada na edição 2304 da revista Veja.

O tema é controverso e envolve, entre outros fatores, a orientação acerca da necessidade de exposição ao sol versus a proteção solar, medida frequentemente orientada pelos dermatologistas a seus pacientes, para a prevenção do câncer da pele e outras doenças provocadas pela exposição solar.

Considerando os benefícios da vitamina D para a saúde dos ossos (já que os outros benefícios citados ainda não tiveram comprovação científica) e os riscos da exposição solar, especialmente relacionada ao câncer de pele (mais comum tipo de câncer do organismo humano), apresentamos abaixo a posição da Sociedade Brasileira de Dermatologia com relação ao assunto em questão:
 
1 – A exposição ao sol, de forma intencional, não deve ser considerada fonte para a produção de vitamina D, nem para a prevenção de sua deficiência;
2 – As medidas de proteção solar, como uso de roupas e chapéus, óculos escuros e evitar o sol em horários entre  10 e 15h, continuam sendo a recomendação mais adequada para a prevenção do câncer e envelhecimento da pele.
3 – O uso de protetores solares com Fator de Proteção (FPS) superior a 30 deve ser recomendado para todos os indivíduos acima de seis meses de idade expostos ao sol. Não se deve realizar exposição ao sol sem o uso adequado de protetores solares. Crianças abaixo de seis meses não devem se expor diretamente ao sol e não devem fazer uso regular de fotoprotetores. Não se recomenda o uso rotineiro de protetores solares com Fator de Proteção Solar (FPS) abaixo de 30;
4 – Pacientes com risco de desenvolver deficiência de vitamina D devem ser monitorados através de exames periódicos e podem utilizar a suplementação através de  alimentos ou suplementos vitamínicos para prevenção de deficiência de vitamina D.


São considerados fatores de risco para o desenvolvimento de deficiência de vitamina D:
Lactentes recebendo amamentação exclusiva; idosos (porque a pele envelhecida produz menos vitamina D); indivíduos com baixa exposição ao sol (condições climáticas em países não tropicais, uso rigoroso de proteção solar e cobertura da pele por práticas religiosas); pessoas com pele mais escura; pacientes com doenças que absorvem mal a vitamina D e obesos mórbidos.

Para os pacientes que já apresentam deficiência de vitamina D e necessitam de tratamento, as Sociedades de Dermatologia e Reumatologia concordam que a suplementação é o melhor remédio em caso de deficiência de vitamina D.

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil e a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda filtro solar diário e  aplicação frequente.